29 de nov. de 2017
7 de jun. de 2017
Inoportuno
Foi assim que levaram Gumé pra comer dobrado. Sem luta nem dó. Abrindo a favela num falar gritar danado, naquele mundo de piado que só domingo favorecia.Luz do dia, pingo e mei de escaldar quengo, mas num gingar de manequim de moda, bermuda surf e regata azul que era seu terno, no grito e no cano do revólver, comum de autoridade tão bruta Gumé ia. Sempre foi assim, maior que seu muitos.Puxado na algema, no meio da rua e do povo, preso sem saber quê...Cadê o motivo que não lhe deram? Explicado é coisa pra quem tem mídia, dinheiro muito de encher banco, aquile lá num tinha não. Era no mote – da cor e da queixa – já é crime. Ao de mirar no sujeito que cabe no de acho... Bole bole novela.Na Casa dele, ele era José Gustavo, era um rapaz feito homem, no fazer bico e lavar carro era o maior, enchia as panela e ainda dava de comer a quem pedisse.A mãe chorava - pai nunca teve, os irmão com fome e num apareceu um fiidedeus pra cobrar justiça, sentença que fosse merecida. Quem levou ele, à paisana, nem nome tinha.Passou seis dias no sumido, no chamar, lá, de malandro o povo dizia. Acharam o inchado corpo no lixão com uma ruma de bala.
• O caótico cotidiano espelha a guerra, comum autoridade.
• Suor e sangue da plebe pagam os salários dos donos do mundo.
• É requisito da ordem manter o caos como álibi.
• Quem arranhou o carro do milico foi seu próprio futuro genro, aquele que largou sua filha com três mês de bucho, moça nova sem nem 15 primaveras.
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