26/01/2010









à porta via você muitas luzes acesas




à porta livre-se do dissabor
que dobra a calda


e expõe seus mastros




a porta esconde da aurora
seus dedos nivelando espelhos




aporta







15/01/2010

:)











Diz-me sábia razão:




O que lida


com os segredos


d’aluna alma?










Congela outra imagem, tortura a fé com espinhos alheios e clama a vingança dos justos. 


Festa em vê:

Perdão!

Dizendo ainda parece medonho dissabor.


Metendo nos olhos a graça
prolongada onde abisma.

Mede, acalma e
mostra a que veio.

Madeira tem lei.









07/01/2010

Feliz Ano Novo !




Nunca esqueça, 
na memória o passado antecipando 
um amor que guardado liberta a paixão. 
Um laço em frente ao janota.
Eu sou o único...


Primeiro o sentimento, tornado em vão.
Na promessa liberta, é um absurdo, 
fala devagar entre as sobremesas
desfaz as grades, pois veja, um brilho almeja.







Já pensou que beleza de dia é quando chove e molha tudo?
Depois vem nascendo uma vida arrastando um verde que flori, não sem razão. Ele sabe que o amor é sempre mais amplo estirado ao chão, no campo, entre nós.

Dorme antes onde pede pra voltar.
E passa devagar, bem demais,
expondo os pedidos na razão do sorrir,
abraçando seu coração.
Porque foi antes, foi antes, solução.
Pra minha dúvida despertar porque você foi antes, antes de sair, sair por aí, antes do fim. Num fim.




22/12/2009

Uns textos Vintage... Só pra lembrar de rir! Numas Boas Festas que exploram...





 Tato aéreo 1
 Enigmas Sondáveis dos Espaços!


Já é quase carnaval e, até agora, ainda não escutei nem de Kubric a frase/conclusão que faria rir todo o espaço: - Se você não consegue dormir, e suas noites são em claro, não foi por causa da invenção do fogão; não foi porque inventaram o forno de micro-ondas ou a TV de plasma. Se as outras teorias seriam fracas em relação aos desmantelos próprios e provenientes do ópio televisivo(um clichê!), seriam gastos milhões pra ajeitar o modelo do pão(francês?) e a roupa de peles de todos os São João Batista. Dizem que por enquanto é queimar calorias em efeito estufa, depois nos faltaria água potável e espero francamente que pelo menos em Tylor eu encontre explicação pra ser calçada de vermes. Ou pelo menos indiquem soluções para os problemas vistos do espaço, já que aqui na terra...
Milhões de pessoas me ligam, querem, assim como nós, saber o que será feito de todas essas obras de arte depois que a civilização “humana” ruir. Sinceramente não vejo falha nos seguros e lhes asseguro: o que os olhos não assistem, o coração é que sente. A falta de atrativos faria da guerra ocupação, e um dado muito novo e longuíssimo nos faz de idiotas antes de primeiro de Abril. Certamente que prefiro viver queimando que morrer de tédio, onde o rádio e a internet só dizem o que queremos ouvir, e minha namorada prefere assistir 2caras(uma novela) a se deitar de rede no oitão comigo e esperar pra vê as estrelas caírem. Acho que não tem jeito pra nós, meu pai falou em eu lhe dar sossego (a ela) e pensei secamente, desistir dessa estória de casal, vai faltar água pra lavar direito tantas bocas sujas. Tão fraco de ti. Se comporte. ! Beijo







Tato aéreo 92
Enigmas Sondáveis dos Espaços !




Pensamos em futuro com uma imensidão de dados que fogem ao controle da racionalidade. Precisamos demais de mais ferramentas construtivas, é como um adorável luxo que perseguimos o dia de amanhã. Nada mais marcante que esses telefones pessoais, celulares, o que seja. Existe todo um futuro à coletividade amparado nesse conceito de individual. Telefonemas futuristas, ou telefônicos de futuro, exigem da micro tecnologia cápsulas cada vez menores e cheias de funções. Estão, ou deveriam está, interligados telefones, PC’s, TV, internet, músicas, estações de rádio, cartões de crédito, radares, satélites de localização, dados e notícias: tudo isso ligado ao seu carro, a sua casa, trabalho... A coisa é séria.
A tecnologia da informação e para comunicação estão se unido outra vez. O privado e o público. Teve um tempo em que um homem só, o Tantan, era telefone, carteiro, jornalista, ensaísta, rádio, fofoqueiro. Hoje, com essa concepção de tecnologia/mídia unificada a um só aparelho, estamos todos autorizados a ser Tantans. A informação corre rápido pelas linhas telefônicas, estamos sujeitos a virar notícia, qualquer um de nós, a fazermos história, qualquer um de nós, sendo repórter, câmera-man, todos nós. Prosseguimos no tempo para o espetáculo, não somos apenas expectadores, fazemos o fato. Quantos empregos são gerados nessa fornada... Qual a sua profissão? –Eu sou garçom e repórter free. Qual a sua? –Sou advogado e repórter liberal, cubro todo tipo de evento. Sou turista, artista e repórter, eu faço o furo. Pois é! Muito cuidado, a intenção da notícia é virar caso, ops! Fato. Essa tecnologia toda a mão nos dá um futuro, a notícia ficou mais limpa, é repassada de opinião em opinião. Sem redação ou quebra de galho, uma mão molha a outra. Telefono-lhe as 4 da madruga convidando pra uma festa e você me conta a ultima quente sobre o quê? –Sobre vc! Vou a padaria comprar cigarros e viro a âncora do jornal na TV. E agora que todo mobille, adoro esse nome, acerta o rádio, os mass-médias, somos todos artistas da multimídia. A situação faz o patrão.
Concorrem ao estrelato vários tipos de atitudes. Seu cachorro se engasgou? Sua sogra tá pelada andando de patins pela sala? Seu vizinho tomou demais e resolveu ser o Rambo? Bom... Tem horas que vc tem que ter umas músicas arquivadas no micromobillemam (meu novo nome para o fonecameratelediscmamgpspc de bolso) pra fugir de cena ouvindo Cartola sepultando um moinho, ou quem sabe então pegar o metrô escutando Rorô. Adoro ouvir Björk cantando, bem alto, Dull flame of desire atravessando de bike as notícias, sendo notícia. Eu sou um astro. Deixe star!


Escavado do Museo Aerostato.




03/12/2009





Introduz
um pensar
Bem perto.




Fecha os olhos
na ordem
atalhando a sorte.


É preciso
refazer...
Que lindo!
Encanta
somando
e entregando
um sentido.


No canto.


20/11/2009






A vida combalida

presa nessa estrutura.

Aos fatos endividados.

Passei tanto dos desejos que eles agora são estrelas no céu de nossas noites. Canto, migrando entre as aspas.

...

Não vou Insistir? Pra que me digam coisas... Tudo novamente são coisas? Num espesso espaço onde há visão... restaurando os cacos?

Antes que me venham as escolhas estou prestes a concentrar num verso o que mesmo a sombra espalha em seus conselhos.

Não dá pra ver que as estrelas têm um brilho molhado quando chove?
Perceba, existe um grande elo abraçando num amor que não rareia.

Escolhe a estrada mais bonita, sustentando num vínculo, as soluções mapeia. Naquele logotipo de herói que abraça os abraços...

Idem...

Participar antecipando os votos certamente cedidos nessas linhas na intenção para sempre distinta. Graças ao desejo entre o cuidado e o que lhe toque nesta canção. Prêmios te dão!

12/11/2009

Água, meus netinhos.





Aerostato 93
Arte no Homem do Vale








Dizemos que tudo vai bem, isso me cheira a tédio.


Antes do amanhecer alguns muitos milhares de litros do precioso líquido escorrerão, aos pingos, lentamente, pelo ralo.
Em poucos dias de espontânea pesquisa voluntária e imprecisa, em ambientes públicos, em casas de amigos, em lojas e pelas ruas, chego à óbvia conclusão de que além do brio elegante e individual dos comprometidos com as futuras gerações, de que apesar das campanhas planetárias milionárias, dos esforços máximos de conscientização de que passaremos sede num futuro próximo, a ficha ainda não caiu completamente e todo esforço ainda escorre pelos esgotos. Na minha rua tem um cano da Cia hídrica escorrendo há três semanas, sem parar. Numa boa e confortável casa de um amigo a torneira do jardim já tem um tema de muitas farras que não fecha completamente. Na loja de molduras a torneira do WC é uma fonte há semanas... Isso sendo sucinto. E além de todos os avisos, apesar de todas as piadas, falta sempre uma rolha, um encanador ao nobre serviço nesse enredo.


Tem cabimento que cheguemos ao restaurante à hora do almoço acompanhados de um reparo de torneira e de uma chave inglesa?


Tem condições um cidadão sair e chegar em casa todos os dias com um lago imundo a beira da calçada?


Há dias em que acordo e penso numa nova dimensão, resolvo diletantemente o que vou observar dentro de um tema previsto. Nisso eu já pesquisei as áreas de concentração preferencial de desocupados, em frente aos bancos vence; os locais aonde fica mais lixo jogado à toa, e as cercanias das escolas ganharam de assombro... Semana passada era para minha atenção um deleite observar a indiferença dos humanos com o bom dia feliz que ofertamos por graça, foi assim que um amigo me contou uma história dele que fez rir, pelo desgosto:
Ele passava sempre no caminho ao trabalho por certa calçada e, como é seu costume, aos que nela estavam sentados, pessoas aparentemente sadias e bem nascidas, desejava bom dia, boa noite, agradável. De simples o cumprimento foi ficando, com o passar dos dias, mais sonoro, “Eu pensei, escutam pouco...”. Até que depois de meses nessa elegância, sem pretensão, ele disse que parou um pouco, olhou atentamente aquelas pessoas e olhos nos olhos de uma delas disse boa noite, essa superou as expectativas, virou-lhe a cara. No outro dia na passagem pela calçada ele fez sua escapada, simulou uma topada, numa pedra, e gritou alto as mais feias palavras, “...e fui dizendo todos os palavrões mais feios que eu vinha aprendendo desde que minha mãe lavou minha boca em criança.”
Então, precisamos urgente dizer tudo outra vez:


Esse líquido é precioso, ele não nos pertence, embora pagar uma conta mensal nos faça esnobá-lo. A nobreza tradicional do ciclo da água existe há milênios, e está sendo poluído pelo seu luxo, adulterado, pelo seu descaso, somente o seu juízo de sobrevivência irá recuperá-lo. Precisamos deste precioso líquido limpo, e seu dinheiro não vai comprá-lo.


Essas lagoas são o sustento à beleza dessas paisagens. A água é mãe da vida. Esse rio é o lugar mais sagrado deste vale. Eu não sei se vc levaria lixo para a sua igreja, para o seu templo de oração...


Ofertamos melhor a consciência daquilo que somos.
Sendo a perfeita semelhança do que ofertamos.


Ajeite, sem hora, a voz!




28/10/2009

Rrose se alive!









Não me fale de política, eu tenho cisma com essa mania de poder.

Embora a política me falando com amor eu dispenso, num favor, na eleição dos carinhos meus, sorteados.

Aí Chegou vc pensando em ficar, para sempre fria, em botão.

Quero antes poder falar com paixão das coisas que sei – inventei – vivi – senti...

Usando uma beleza em sorriso de chamar sua atenção. Coisa que eu sei. Vivendo assim feito um amor de revista. Que eu sei. Assim florido como cortina de chita, eu sei. Fazer desse amor uma enorme oração sem começo nem fim... Sendo dois?



Istmo



Tens

normais qualidades

te abusam.


Aos jornais

o medonho nojo

aos normais

te acusam.



para Vaguinho, Brother:


Nada subtrai o elo em segredo entre as duas pessoas. Pedra em que nenhum sábio lerá nas entrelinhas.


Vago demais

sem saber

sem explicar

sem ver


Rapaz que coisa

sempre esse hábito de fugir

antecipando um fim

Atravessando a vida

Partindo para sempre

Sem dizer o Porquê

vc quis fugir

sem explicar


Antecipando uma ida

nesse vago que fez

Ficou uma falha


era minha ilusão

que contássemos a história

era nossa missão

num sorriso sem fim

Naquele alegre sonho

Contando nós todos

antigos na vida


Fiquei sem entender

o que faz a razão

nestes dias em que

a explicação

implode sem dados

calam num absurdo


Seu corpo podre e mudo jaz

neste lacrado caixão

que a toa ignoras


deixa um lembrete

um recado em provisão


estimamos o futuro

como num rumance

de livro guardado

Colecionamos os fatos

esquecemos os fardos

e vamos vivendo

num conto rápido

que não nos espera

e invade nossas casas

à hora da mesa


08/09/2009

ZEN






Sente o momento

é a sequencia nobre de gentilezas com nós mesmos que aponta as ondas solícitas do destino recuperando o amor [da pressa] [na pressa] [há pressa] saindo devagar com nossas alegrias e dores aos recantos de nossa imensidão.

Chamam a isso alma, a consequência dos nossos altos e baixos [desafinação – afinação] [duvidas? Certezas!] alterando paradigmas, respeitando o limite da antecipação dos fatos,

jamais sofrer ansioso!


Quisera abstrair numa melodia

vaidosa e simples

a atenção

expulsando num ruído esses...

Com os grilos no canto


Queira devotar uma oração

[especial e relaxada]

analisando e agradecendo

com vírgulas, sem ponto:

tudo preto no branco!


Quero alimentar-me da solução precisa

sustentando na habilidade

um barroco , consentido,

com os sentidos abraçando a Paz

feita de presentes

no momento presente!


Pressentir Criaturas

que fizeram de seus anseios

revolução para todos

dia após dia


Sendo um e muitos

dia a dia

desperto!




29/08/2009

mú.si.ca Simone Weil máquinas

Aerostato
Arte no Homem do Vale
aerostatousina.blogspot.com

Sentir a música é uma evolução na humanidade, com um pouco de entusiasmo. A mais introspectiva melodia nos dar, ao saber, o caráter de toda uma arte.

Assim como os tambores pré-históricos animaram nossas fogueiras o que é SINT [de sintética] em música alimenta um espírito primitivo residente em nós. Seria mesmo uma faculdade humana que diferente das outras tecnologias [artes] anima nosso convívio, conforta, auxilia o metabolismo, desperta e relaxa a mente, quer queiramos ou não. Somente o nariz também é atacado assim, a culinária e a perfumaria explicam... Animados pela música [e já é bem prático dizer nisso que aqui nesse contexto música é todo o som ouvido, consciente ou não, curtido ou... Sentido. Sim, porque é necessário para o bem dos nossos sentidos que saibamos fazer a distinção acertada entre: Música – Arte; a música – Som, e “aquela música” - Canção de sucesso:


mú.si.ca
Letra: Michaelis

s. f. 1. Arte e técnica de combinar
sons de maneira agradável ao ouvido.
2. Composição musical. 3. Execução
de qualquer peça musical.

4. Conjunto ou corporação de músicos.
5. Coleção de papéis ou livros em que estão
escritas as composições musicais.
6. Qualquer conjunto de sons.
7. Som agradável; harmonia. 8. Gorjeio.
9. Suavidade, ternura, doçura.
10. Fam. Choro, manha.


O bom questionamento inclui no sentido os ruídos produzidos pelas diferentes máquinas, com ou sem nossa atenciosa regência e observação.

Dos motores e aparelhos elétricos salta um arranjo mixado aleatoriamente aos sons da fala, com os jingles publicitários, o rádio sintonizando um jabá, do corpo mesmo arrastando uma função, etc. Concorrem concertando uma sinfonia que ou acalma ou morde o já atacado juízo imprevidente. Animada por essa orquestra nossas relações interpessoais são cheias de memórias, coisa pelo bem sentido, sabido, que somente nos acomete com os aromas, sendo nesse caso o olfato mais preciso, imediato. Um ruído bem empregado faz maravilhas ao cérebro da gente, pesquisas não muito divulgadas relatam que mesmo as plantas sentem e reagem ao som do ambiente.

Acabo de ser apresentado a uma jovem através de um livro que me caiu na leitura [textos dos anos 30 do século passado], de educadora reformista e brilhante ativista na política trabalhista ela se entregou ao desumano trabalho nas fábricas daquela época para sentir e analisar o que representava o trabalho com as máquinas para o esforço, o espírito e a razão humana. A usina, enquanto drama, ensaiou em Simone [Weil,1909-1943] a impressionante iluminação de que o ser, sendo filho dos sentidos, submetido aos rigores do convívio com o som caótico que exala da máquina se embrutece, anestesiado pelo ritmo em desajuste com o seu organismo. O desenraizamento era um tema constante de suas anotações.Numa visionária pauta das reivindicações proletárias ela nos sugere que até mesmo os barulhos sonoros desses “instrumentos” devem ser ajustados ao sentido humano.

Como necessidade um maestro faria, dos ruídos despertados da matéria bruta, uma melodia que melhorasse as relações entre os indivíduos cotidianamente sujeitos a esse impasse. Lendo esse texto lembrei que a idéia central de dançando no escuro [dancing in the dark, de Las Von Trier] pode ser essa música eletrônica acordando das máquinas, acho que 70% da música que é consumida mediante canções Pops são produzidas sinteticamente. Já nos anos 60 a música do Velvet Underground [na Factory] era a perfeita combinação de poesia, efeitos sonoros, ruídos e melodias, o Tecno [do Kraftwerk e de Góticos tipo Bauhaus] e seus seguidores e a Ambiente music e os desdobramentos desse Lounge Groovie atual são a experiência artística do que a sensibilidade pode fazer com uma máquina, uma fábrica, uma cidade. Selma está perdendo a visão [vivida/ interpretada por Bjork, a fada/wicca primitiva/ high-tec da música Pop atual tragada pelo dogma de Las, culto anarquista], os sons e silêncios lhe são preciosos, os seus outros sentidos estão se ajustando a novidade da cegueira. O ambiente virando espaço. Neste musical ela canta um mundo de miragem no deserto da impostura cotidiana, uma sofrida moça faz dos ruídos da fábrica esperança e melodia, Simone revive.

Demora um pouco as obras que estão na moda me chegarem à leitura, por vezes a aceitação na oferta só me faz guardá-las em casa esperando o meu sorteio para assimilação, esse filme mesmo vi apenas há uns meses atrás, já conhecia a resenha, trilha sonora, conheço Las e Bjork de primeira hora, mas vá lá... estímulos normalmente só me alcançam significativos ao meu ritmo, o da casualidade. É mágico ver como a literatura, a música e o cinema me chegaram para esta nova utopia: alguma coisa muito bonita e coerente está acontecendo com a gente, a terra está nos ensinando a amá-la, respeitá-la, como a grande mãe que também deveria ser a escola, a cidade, a usina/fábrica. E é lindo e acertado o que Simone escreveu pra nós: “Que o ser não só saiba o que faz, mas, se possível, perceba o uso. Perceba a [sua] natureza modificada por ele. Que pra cada um, seu próprio trabalho seja um objeto [motivo] de contemplação.”

Nesse ínterim estou muito ocupado com sons, com a ajuda de um amigo eu digitalizei uns k-7s que produzidos naquela vanguarda de meus 18/20 anos, são em sua maioria a aproximação com a música sendo extraída sem o uso de instrumentos musicais no sentido corrente [e não pense em Naná ou Hermeto fazendo melodias com o corpo e panelas!], são a desavergonhada exploração de picapes e LPs, usados a exaustão, na sádica tortura do termo. É que na época eu raciocinava que assim como Marcel nos legou seu L.H.O.O.Q. [a Gioconda de bigodes], os LPs e radiolas seriam cópias, clones de um objeto de arte, portando passíveis de intervenção, destruição, sem lástimas. Com um bisturi eu fazia groovies [intersecções] nas faixas dos álbuns sorteados ao acaso e isso me trazia maravilhosas melodias, extensas o suficiente para meu hábito de pintor. Pouco tempo depois, numa sincronicidade agradável, me chegou esse ritmo junto com a poesia e o grafite das grandes cidades e mais ainda com o universo dos novos DJs e seus samplers.

Platão orava que a sociedade é um organismo, grande e animal, que somos obrigados a servir e alimentar e que temos a fraqueza de adorar. E analisando essa metáfora legado deste grego [o orador do sujeito x objeto] devemos ainda nos perguntar:

- As máquinas trabalham para nós ou trabalhamos pra as máquinas?

Enquanto músico minhas melhores canções sempre foram feitas em aparelhos eletrônicos e sintetizadores, meu mobille contém um programa que me dá excelentes resultados, meus amigos pelo globo me enviam canções que muitas vezes não foram, nem serão, repassadas pelos meios antes tradicionais. Analisem que pescando canções na Net eu percebo que verdadeiras crianças, em favelas e condomínios fechados de pequenas e enormes metrópoles, através desses up/donwloads alimentam a poesia do RAP, com sons que no século passado seriam tachados de espaciais... E quando numa simplicidade naive com aspecto de publicidade Magritte nos disse que um quadro não é um cachimbo!

- O que antes formatamos como paradigma de Ser [instrumento da grande música] não poderia ser integralmente revolucionado?

“Senão o futuro [a imortalidade] estaria perdido para nós...”

E lembrem-se: A verdadeira arte é não se isolar...



21/08/2009







I



Penso ser possível atacar
somente as necessidades
menos justas passam
por pretender – Ter tudo
nos submete a ser agasalho
de faltas. Impetrar-se
a labirintos – Confuso.



Deitado em espinhoso gramado
passando esquisitos recados.














II




Desfaço menos, deixar folgada
constância me embrulhar, assim
posso habitar uma região entre o hálito
e a celeste liberdade.




Pagão. Finório. Inconfidente.









30/06/2009



TATOAEREO 83
enigmas sondáveis do espaço

É evitando certas mancadas que adquirimos alguma segurança nos nossos atos.
Marca nosso escândalo esse vulto de celerado que pratica atrocidades, destrói ou desfaz por capricho as inocentes e belas realidades. Sem respeito ao próximo, sem conservar nossas, mesmo simples, tradições não se faz realmente cultura. Nessa cultura que desanda e é uma gritante desculpa pra afastar nossa brasa.
Durante a arrumação da praça para a tradicional festa de São João, sendo Batista o profeta louco e louvável do cristianismo, uns alguéns se julgando arquitetos do cosmo, crente ser dono do mundo, botaram fora as copas frondosas dos antigos e já tradicionais Fícus desta já tão desfigurada praça. Nisso numa desculpa pra se sentir menos feio, mais avançado, nisso escandaloso sem métrica nem propósito real. Sei que: se alguém sai pela rua completamente nu, será prontamente tachado de verde imoral ou todos dirão que a humanidade está perdendo mesmo é o respeito. Onde já se viu o amostrado sair pela rua mostrando os pertences? Triste é constatar que vergonha mesmo faz quem se julga sabido o suficiente pra ser dono do espaço. Não me falha a memória que isso aqui está virando normalidade, não é a primeira vez que as árvores dessa tão reformada praça são vítimas da loucura momentânea desses serviçais do povo. Sim, porque é com nosso subsídio monetário que eles exercem esse poder impostor. Sanando seus traumas com o burocrático fluxo aleatório do nosso caixa. Isso mesmo é o que se ver em lugares onde os lacaios da ordem estão sempre preocupados em fazer uma boquinha nas verbas publicas, onde não existe respeito pelos seres em geral. Sei pensarão: a humanidade perdeu mesmo o sentido e uma árvore vítima é somente uma a mais, todo dia florestas desaparecem, toda hora morre bicho e gente por aí pelas calçadas... Saibamos reconhecer não somente a triste sina desses vegetais, mas o símbolo que isto significa, numa redundância já muito bem (im)posta em práticas de administração pública. Infelizmente a orgia me faz falar tão bem pelêassunto.
Outra normalidade é pensar que isso faz parte dos escândalos, também já tradicionais que antecedem, e perpassam tradicionalmente as nossas tradicionais festas juninas. Será um bálsamo para nossa cidadania se por algum capricho do destino o festejado artista da hora resolver fazer propaganda gratuita de nossa festa na TV, dizendo por aí que um povo besta e caprichoso meteu o pau nos paus pra recebê-lo. Quinem novo rico quando arruma a casa pru mode arrecebê arguma artoridade. Quinem rapariga que raspa a preciosa quando espera o mió criente. E haja prefume pra incubrir a podridão.
Aos de telhado de vidro, cuidado! Um outro artista juntou os troncos no munturo e contratou um avião pra soltar do céu no meio da farra, tentando também, fazer arte.
Essa curtura imposta fede a bosta. Essa novela é suja.

É a sombra dessas árvores frondosas e célebres que dão guarida para quem descansa do trabalho ao sol, abraçam nossos simples momentos de lazer, aquelas cenas afetivas que não nos sai da memória.

A cultura é um bem valioso quando nasce genuinamente do povo, como um cheiro bom que exala do corpo limpo de quem amamos.

Pelo respeito ao que é nosso e belo por origem, sentido ou história.


10/06/2009

Divino, soma

os múltiplos caprichos

que te abrasam

será, do ser, tua graça.


E, como eu sei,

nenhum maestro

há de fazer, de ti,

nobre inconteste.


Enorme, recorre à vida.

Essa via conduzindo

aos milhares os melhores.

Vai! à barca vai...

A vida te abarca.



chove

pela noite

ofertando

uma canção

que pinga

sons

pelas telhas

abraçados


chovendo

chove

pelos dias

anunciando

uma fartura

aos vegetais



Esqueci o que foi antes

o que vc foi antes

antes de vir

participando

em tudo

como um cinzel

um lustre

antes de dormir.



Alude a qualquer tipo de emoção

e não deixa de saber-se aonde

murmuram os novos desejos

que saltam para fora, pelo campo afloram.


A poesia maluca

não desconta, atriz conserva

sem limites

essas estragadas letras

que ferem... ao peito de quem fede.



Em seu tempo, num só ato

vim verter-te

num rabisco seus traços

entre os sorrisos de não esperar

vasculhando a noite

em meu porão.


Nesse sono assim

que afago.

Na madrugada te recolho

nas calçadas.

Em seus olhos,

desse azul puríssimo,

mergulha meus desejos na manhã.


Acordo seco, ainda

teu vinho habita meu hálito,

antes que eu esqueça e calcule

as perdas e consiga outro horizonte

que sobra.

Feito uma lembrança festiva

dos desejos de amanhã.



Eu quero um sapato

que não machuque meus pés!


Macacos me mordam...

Fazendo algodão das minhas centelhas.

Abraçando a minha fé,

nesse novo amanhã, que sempre festeja.


A vitória sobre essa porcaria de crise, inventada por esses brutos do lucro que não estabelecem, obedecem a ordens. Não!


Eu quero um sapato

que não machuque meus saltos.

E quero um sorriso

pra suprir de sorrisos

a geladeira do dia.


Ser tão bom

fosse à desculpa

que sorrir e levanta os astrais.



Na banca...

Antes de sumir

formou-se um elo

entre as bochechas.

Atendendo os apelos,

operando milagres

dispensados na pressa

na solene hora

em divertida hora

em que machuca ou salta

entre os anéis na força.


Operando os mil laços que fosse o que fosse teria que partir.

Não quero saber, não quero mais, essa novela é estranha.

Esconde e talha a sinceridade do seu conto.

Aproxime a conversa da hora, atrapalha se não vem somando e fique prestes a sorrir. Estou sempre pra consumir, recolher os carinhos que deixastes soltos pelo colchão, debaixo dos lençóis.


Feito um velha amazona.



Minha escrita ainda é sexy...

Hora veja!

Tenho fixação na frase oral.



Aspirei a casa, está engraçada, nessa umidade que assume as paredes apostam uns fungos, ainda medidos num juízo, pelos palmos submersos. Sempre quero, fazer de ti, esta colina mãe, refazendo os dias e as noites os escritos plantam as ordens que faltaram aos seus cuidados.

Não abandona seu firmamento, escala as paredes e agora selvagem pisa os banidos, pisa os fracos anseios com passos fortes e seguro de tudo que é sua força e dom esmaga esses brutos, se te assombram, num pesadelo de ti.

E quando fortes tiveres

que refazer contente um histórico,

marcando a tua estrada,

ampara-te no bom.

Esquece os infelizes, dolosos,

os fracos na tua aposta.

Por deus, sabido.


Isola-se no bem, não há pecado.

Explora os prejuízos

catando da glória, ainda é segura,

as nobres venturas.

Por deus, contido.



Cante!

Uma fé constrói

milagres.


Conte!

Um sorriso refaz

milhares.



Prezando a timidez, eu não sei se serei o dono desse castelo.

A construção não se afasta do hálito dos que trabalharam

erguendo, neste pão, esta, da alma, masmorra.

Não abandonar o sentido que espera continuar assumindo um dom, em sua guarida.



(de um antigo mote que sem glosa erra solteiro...)




Sem ser filme de terror,

Assim nos mostra a história,

Mesmo ao mais coberto de glórias,

A velhice é um pavor.

Assusta até o doutor

Sem remédio em solução,

Derruba qualquer barão

Ao mendigo, ela executa.

Aproveite a vida é curta

Assim diz a mocidade.



Pra mim perdeu o valor,

O sujeito displicente

Que nos diz de seu repente

A velhice é um pavor.

Se fazendo de doutor,

Julgando pela idade,

Nisso faz barbaridade.

A juventude é presente

Na saúde inteligente, decente,

Assim diz a mocidade.



A saúde é um valor,

Disso sabe o previdente

Quando fala displicente,

A velhice é um pavor.

Fazendo disso um horror,

Ele esquece que a idade

Nisso faz barbaridade.

Viver a vida contente

Na saúde inteligente,

Assim diz a mocidade.


07/06/2009







Trás
essa dúvida
demora muito em perceber
apego bom não arranhe
os motivos que calam no imprevisto
destas manhãs.

Vai pra abril
os dias que lembrei
vc explorava os encontros
querendo anunciar
por detrás das nuvens,
soltas e cinzas
que viria rever
num apego
esses traços de chover.

Chove chuva, chove sem parar...








Num verde
planto
luz no ossuário,
na memória pendida.

Canto a canto
a hora é vaga,
a fé testemunha.

No previsível
martelo
de minhas lembranças.

Foi-se o mote
na guinada
à tona
quebrando os
subversivos
versos.







Certamente
onde foi todo
foi tudo.

Aonde foi tatuado
seu nome
o jardim ainda esconde
seu nome mesmo assim
gravado por mim
minora a estupidez
dessa nave
em que seguíamos
cometas.









Inveterado e regressando à tona.

Testamento mineral
reino vegetal
sem vaga religião
ou superstição
que avalia.


Grande enunciado
em conselhos
enormes novelos
úmidos e tão consistentes
das notícias
sendo escritas
a duas mãos.

Registrar sendo lei solta
sendo ao lume
testado antes de encarregar
a novidade
com pedidos
pessoais.

Inveterado e
investindo em somas
antes que a vergonha escape
dando conselhos
consistentes
que ao seu tempo avalia.

Antes demais.
Antes que sim, porque sim.




E vc vai sair
na escuridão da sala
pra ir
num outro plano
eu lhe ajudo a pensar
o drama
sempre vívido
intocado.

Tem esse aceno
mas nosso plano
não é uma vela. Biruta
que ao vento acena.









Tem um sumo do amor
na verdade dos leões.

Uma causa que a vontade
não satisfaz nem grita.
Reconhece logo a sua fonte
destaca o preguiçoso enlace
de seu, no seu lado.

Perturbando a tinta
deixando antes ver
que da lua cai
sua dura realidade
e estremece
entre nós.







Supurante
febril
escusado
resta na praia
o afogado.

Espumando
as ondas
ternas miríades
violentas em vagas
cospem seu corpo
ao descoberto da areia
que centelha.

Ele teria a lembrança de partir.
Não fosse seu peito,
sem gesto, cheio de mar
salgando demais
as suas veias.







Eu sei fazer
uma canção
que me serve
de aurora.

Penetrando
as terras
e voltando ao ar
pela respiração
dos seres.

21/03/2009

Sidharta






Toni é o Buda de Assu.
Não aceita comer carne, nem peixe. Pede licença aos vegetais antes de por na boca. Conversa com o chão, com as nuvens no céu. Respeita a água como quem mareia. Não reclama, não deseja.
Já no seu aniversário de 4 anos, quando perguntaram pra ele qual tinha sido o seu pedido ao apagar as velinhas ele confessou:
- “Pedi ao bolo pru meu Pai andar mais devagar, principalmente quando vai me buscar na escola”.

Ele guardou essa imagem no meu celular, compenetrado, mas veja.


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06/03/2009





Agradar tem dessas coisas: é sempre assim que vasa uma ponta do abismo pra dentro da novela. E ficam sorrindo de nós, refeitos em desculpas atravessando a melodia gritando. Quero a desculpa... Mais culpa! Você nunca será agradável como na hora que precisou me ouvir. Eu ainda ensaiei seu besouro nome no centro da história. Mas, deixei a truculência tomar partido na cena.
Tinha um beijo pedinte em seus olhos e, outra cara machuca.







Meu ventilador tem um barulho, que não se encontra em qualquer dessas coisas que inventam. Você viu, né?
Dormir sossegado tem um tempo que dá. Tantas vezes abusa, mas, dá sorte.
Parados, lado alado...
Brigando por qualquer merda, adiando nosso tesão. Esquecemos que a qualquer hora a gente pode sair, daqui, e entender doutro jeito.
Sem mais ou menos, agora talvez depois disso seja momento de requentar nossa história, com um monte de desculpas.







“- Consola-te. Afinal não há mais nada.
- Não há mais nada? E o coração da gente?”
J.L.C.


Como foi que chegamos aqui?
Estamos presos nessa jornada.
A luz do sol não nos convida
à alegria, à nova estrada.

Deixo quantos prazeres tiveres,
entre mim e ti
haverá sempre um moinho,
mastigando nossos olhares.

Seiva e vida fugia de tua face...
Repeti continuo os versos
de outrora:
“Não sei por que choras... Não foste tu
que desmanchaste o ninho?”

Agora, para sempre
consola-te, não me apavore.
Há sempre um limite para a ingratidão.
Encheste a boca, foi-se a escravidão.
Amassa e come o teu pão mesquinho.

Uma vida nova em mim lateja,
meu orgulho ferido em ti tropeça.
E, há um amor sincero
que não rasteja.





Inocente o coração!



O olho não vê.







Na paz...
Aconselha seus companheiros
Libertas as suas entranhas
No entender
No vasto







Uma estrada
muito vista
prestes a ser lembrada...

Como se faz
a memória
no caminho,
longe não há, tem...

Os passos
avançando
refinando um pó.
Venta
agarrado em nós
como um carrapicho.

Que o tempo,
pensando bem,
refaz
numa ampulheta.







Quasar

Pensei...
As estrelas caíam e caem
e assim existe
e resiste
esse encanto
do bordado no infinito.

Assumo logo:
não sei
aonde
se depositam
esses rastros
que mergulham na noite.

Talvez
um enorme poço guarde
esse brilho imenso
escorregado
vazado do éter
como uma faiscante lágrima.

Ou seria mesmo
uma gota
babada
pelo universo
neste abismado caos?

Aos pés da noite
estão todas as estrelas
cadentes, como um braseiro
numa miragem
atemporal.
Como um grande sol
mergulhado.
Repousa
aliciando um sonho.

Sendo estrela
será cinza.
Sendo um sonho
será sempre um astro. Único.
Prometendo amanhã.







Parece que alguma coisa é grande demais ou faz melhor nos dias escapando...
Meus dedos anelaram seus dourados cabelos. Sua proposta era, ou seria, avizinhar meus apelos. Meu tesão escorrendo sem domar sua revolta.
Eu vim
somando com a sorte
essa estrada
longa de visão.

E vc é contente
traz na bagagem
esses fatos
alegres
que a gente
bordar na paisagem
falou!







Noturno de belo
horizonte folhado.

Na precisão
do vazio
treme
depositando
o céu
sossegado.

...

O vapor do dia já traz
o cheiro de sol.

Alimenta constante
esse tipo de fé
que dá na gente.







Dobrei o cabo da boa esperança, não sem alguma novela. Depois da terceira constelação, num planeta bonzinho... É uma festa!
Fugindo do padrão. Atravessei uma moita de estrelas, todas precipitando feito cometas. Pela janela passando uma imensidão numa conexão sem nexo. Acôrdamos tudo e veja: nossa nave é vasculhada pelos curiosos de plantão e vc as gargalhadas, num tira teima. Esqueça!
Nesse espaço sideral sabemos exatamente o que vem de bandeja.
Só melhora o clima quando desligamos os motores e ficamos sem gravidade, flutuamos mansinhos a sorrir.



“o fogo ainda queima...”

Jantamos uma pílula
adoidada
não tinha cheiro de pão
era como ração
pra cachorro – sem gosto.

Nesse espaço biruta
tudo é tão grande
e maluco. Disperso.
Só dá certo
porque tem vc
[estranha e matuta]
bem por perto.







É sempre cheio de razão
que ele vem
rebocando uns boa noites
pelas calçadas.

Fica tão quietinho entre as minhas perguntas,
remenda assim Todo tolo disparate de antes.

Não sei dizer
se ele dorme aqui
por paixão
ou precaução.







Atalho de mim.

Deixo o decidido
nesse atalho
eu não passeio mas,
vc nem sabe disso.







Salve os bons
nessa jornada
a nossa fé atravessa
outro amanhã.
Inventa o futuro
honestamente dizendo:

Aqui parece que nada muda.
Aparece tudo igual, tudo
tão consequente.
Entre os estranhamentos
existe sempre uma porta
do sair por aí
através dos grilos
cantando.







Fez-se limite
nesta manhã.

Não espaça o bom
na pedra que narra
o perseguido.
Nem escapa o bem
num clima de amor
sem presságios.

Fonte mais dura
essa escova que apanha
os pequeninos grãos
nos teus cabelos.

...

Num sonho...
Vinha dos antigos segredos,
ensinando mães as criaturas.

Hão de varar mundos
certeiros,
antes que a memória
em sobressalto
seja só
passado.

Rondam-me nesta manhã...
Um cheiro de chuva.
Um barulho dos ares,
helicópteros na manhã
estampam o céu e,
faz vitrine dos teus
invernos.

...

Vinha da beleza,
vinha do amor
nas nossas escapadas.
Sem planos era a mais linda,
a mais cheirosa flor
que abria.

Doía-me, pelo erro,
desperdiçar o amor
pelas longas madrugadas.
Onde os fatos eram mortos,
mortos no silêncio
de nossas revelações.

Afastados do mundo,
mudos pra nós.
Num horizonte, seguros.
...
.

23/01/2009

Arte IN Cultura!

AEROSTATO 79
Arte no homem do vale
renatodemelomedeiros@gmail.com
www.renatodemelomedeiros.zip.net

Inevitável que eu fosse dar minha cara na reunião “das coisas da cultura” no domingo (18.01), encontrão de toda a gente, interessados nos rumos das verbas municipais e estaduais. O que se viu lá foi um pouco do cenário que vamos ter que ajustar, digo vamos, se houver espaço pra colocações que não sejam diletantes e ou demagógicas, não da parte do prefeito Ivan Jr ou do vice-prefeito Alberto Luiz e sim da galera sem escrúpulos que teima em manter somente o próprio galo na panelinha.
Tira-se de um encontro daqueles razões para continuar sonhando.
Pelo menos agora a Casa da Cultura Popular, diga-se Governo do Estado, Fundação José Augusto, fará prisma nas discussões. Parece-me que, mesmo lá, tínhamos salários sendo pagos sem muita utilidade. Coisa pra se ver!
O que mais impressionou, afora a audiência de muitos artistas (sem lista de assinaturas?), foi a falta de agilidade dos envolvidos: Crispiniano, na atenção a sua gestão, nos passou uma hora e meia de sermão, relatando sem muita métrica a atividade de sua boneca. Depois lá veio Gilvan (digo diretor Cenec) com mais uma hora do histórico das suas atividades. Aí a turma dos inscritos se sentiu na liberdade de fazer da oportunidade ao microfone cabo de guerra, lavaram a roupa. Sem falar que a verbologia escambava sempre na autopromoção e auto-comisseração. Uma tristeza, de rir. E eu dando berro!
O prefeito foi claro na disposição e interesse em uma gestão participativa, falta aos seus indicados iniciarem outra lenda, aquela encantou ao antigo regime (perfeito!), mas agora tá difícil de engolir. Alberto Luiz, secretário e vice-prefeito, salvou a reunião, tomou nota das urgências, repassou ao final uma objetividade nas diretrizes propostas que faltou na pauta da reunião. No geral foi decidido o óbvio: Criar uma Comissão Municipal, de eleitos e indicados. Formatar um Cadastro legítimo que reconheça os profissionais em suas áreas de atuação. Estabelecer com o tempo um Calendário de Atividades Culturais na nossa Atenas.
No Assu há um caso visível e risível, talvez só se aprume se cabeças mudarem, rolarem. Questiona-se a atuação, mais que duradoura, de pessoas para as mesmas funções, não sem razão. Cairia do céu alguns interessados na “Arte pela Arte”?
A atuação em maior número, dos artistas de verdade, nessa cidade, está sempre sendo vista como um favor, como mendigos amealhando trocados.
Tendo sempre que ser voluntária. Pra quê a coisa? Ande!
Tenho observado há tempos, aqui as oportunidades não existe pra quem é, de fé, artista em sua função. Talvez isso explique os casos de autopromoção durante a reunião, não que justifique. Estou habituado a outros centros, para um galerista ou o artista mostra boa aceitação no mercado de arte ou, procura outra galeria, outra ocupação. A cultura está relacionada com as artes em geral, sem profissionalismo não funciona. E hoje, até penso, essas verbas públicas destinadas à cultura deveriam rumar pra outras questões mais urgentes, tipo o controle e a conscientização ambiental. Temos o caso desses Autos (Não fazem compensação de CarbOno Zer0!), proliferados por todos os lugares, me desculpem meus amigos envolvidos nesse ato, mas essa verba disposta fere os princípios da constituição. Num Estado Laico, consciente de seus deveres, não se faria espetáculos católicos com as verbas públicas.
Depois vem a questão do emblema subjetivo e diletante que envolve as escolhas em termos de cultura e arte, vide a marginalização. O que é interessante para um fomento nem sempre condiz com os anseios da população. Baseados em moda, jogo, e trapalhadas, não se faz escolhas. Que critérios são adotados aos meios?
Vejam: aceita-se hoje a cultura do povo, simples, naive, primitiva, a arte popular, como forma de penitência. Os sacrificados artistas populares agora são usados como moeda de troca. O presidente é pop então faremos edição de todos os lapsos? Voluntários... Ainda bem.
Consta nas salas de nossa Casa da Cultura Popular o nome de legítimos Artistas populares?

Em graças nos falha a memória,
não lembramos quem foram os entes
que animam o nosso folclore.

Como cultura é tudo, é porém
a mágica de um povo
que se fez encantar,
não deixando rastro a saudações
nem a demagogia histórica de um lugar
aonde os fracos teimam em ser
motivo de glosas.

Não tenho naturalidade
em manter atenção
a quem faz questão
de repetir como jura
uma estória
em sua desculpa.
Repetindo será lembrado
esquecido lá o passado,
metido nessa impostura.

Casa de vez,
o troço com sua rima,
aperreia feito um bichado.
Sem dormir com a consciência
pulando, no dito, faz uma lenda,
pra manter seu explicado.

Não suporto!
Me falta, na vez,
lembrar do futuro
que já se fez.

Aposto no imaginário
que me guia, todos os dias,
nesse tempo, sem precisão.

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16/01/2009

do caderno 16,... 20.







Há dias em que o tempo é lá...

Circunstâncias que vibram
alvoroçadas. Lembranças
ordinariamente soltas

Visgo em campo citadino.



Lugares abertos a
entrada pra visão
de sítios em justas sementes
e hábitos talharam resposta
no enunciado que for
corpo que andar



Lágrimas seriam jogada.
Pipocavam na sede.

Louco pra escapar dos versos
que cruzam a parede certeiros
como essa proposta
pra rebentar coragens.

Longo em saborear do ar
as incertezas. Vagando.

Mestre em descartar do equilíbrio
a perda que oca o pau
do horizonte maduro escapando.

Cálculo que dita a forma
mais séria de convencer
a dobra do limite que gasta
o limite que aposta.



Impossível espetar esse anel de tempo, mas
ele é teu... Diadema infinito de muitas duvida.

Assim que o vento soprar e a ultima estrela resistir no poente. Caiam todas as glórias ao novo e já próximo sol.
Deixa que, embora saibam, relembrem com ternura o eterno capricho do renascido.
(...)
Descobriram que seriam os humanos aqueles que colhem flores nos jardins matinais. Espero ainda a declaração que a cerca da moral inflama e ostra as portas tentando esconder realmente e sério o sentido de reunir com os outros. Destinos que não faltaram com as práticas de soberanias e nervos que fortes podem ditar o modo e a causa que ritual nenhum chocou.
Mesmo nos limites do oceano cósmico a barca e tripulação preparam, arquitetam as jornadas. Longos sítios esperam?
Longos espaços cerebrais esfolam a dimensão/ cerca, que é medo ou receio indevido, provocando a descoberta do infinito.
Gostem ou não.


I
Lento sol na curva do infinto espaço.
Destino crio. Lado que houver.
II
Andava fazendo um rumance,
como no paraíso,
sem fruta envenenada
e sem eva...
Só eu.
AEROSTATO 77
Arte no homem do vale
renatodemelomedeiros@gmail.com

Existe, por enquanto, todo esse tempo para a politicagem.
As eleições têm sempre esse jogo tão sujo, o recado é mínimo.
Existe um hábito, muito saudável e louvável, de calcular a produção de carbono de vários tipos de eventos: haves, programas de TV, festas de aniversários(de pessoais legais e conscientes), festivais, feiras de livros, filmes, etc. Durante a nossa vida, nosso consumo produz uma quantidade pouco agradável de carbono solto na atmosfera, agravando o já muito conhecido efeito estufa, aquecimento global. O uso de energia na manutenção da estrutura, dos indivíduos, solta no céu aquela fuligem como a dos veículos, é o pum sócio-ambiental. Pensando numa perspectiva de futuro diminuímos o gasto supérfluo de combustíveis fosseis, energias não renováveis, poluentes em geral. Esses eventos, por exemplo, fazem esse calculo para compensar o planeta com o plantio de árvores. A ação é chamada, CarbOno Zero! Vi num site de corridas de bike, vi no programa Um Pé de Quê? de Regina Case, vi na festa de casamento de Mauricio e Ângela, faço isso na minha casa-laboratório, faça na sua... é prático. Entre no site da Futura e aplique seu consumo a contrapartida na plantação de árvores, na utilização dos recursos com elegância, sem lixo é luxo. E por falar em elegância, como faz falta ao processo eletivo essa atitude tão justa. Não contentes com toda inutilidade de seus cargos, esses parasitas ainda esbanjam poluição, sonora, visual e tal. Nem de Gabeira escutamos um dito sobre a campanha consciente, ecologicamente decente. Aqui pelo Assu as coisas são risíveis, pra não chorar. Carros e mais carros saem pela rua desperdiçando combustível e fazendo barulho, essas festas comício nos finais de semana (sem o Juiz/o!) deixam um rastro de sujeira bem parecido a essas caras. Não é dever da autoridade analisar e compensar seus atos?
O que devemos fazer?
Dá bom exemplo!
AEROSTATO 57
Arte no homem do vale
renatodemelomedeiros@gmail.com

Escalamos inúmeros mistérios a procura de estrelas que nos indicam aonde ir, planos a traçar, diretrizes certeiras na conquista de nossos sonhos. Neste festim constelação, as amizades que cultivamos serão sempre, em todos os momentos de nossas vidas, nosso mais perfeito tesouro, nosso mais puro ouro. A felicidade não é um mito ou um estágio distante para aqueles que com afeto remove problemas, para aqueles em que afeto é confiança, festa e sorriso. Nestes dias, lendo finalmente, uma tese sobre Sílvia Plath, escrita por um amigo (Talentoso Astro), descobri que até para o amor, o Epicurismo é maravilhoso. Recomendo a todos irem à busca do que sobrou, dessa refinada e graciosa filosofia para pensar na vida que levam e num ato de metamorfose de conceitos, sorrir entre estrelas sempre.
Sempre, nos momentos um pouco mais pesados de minha vida de artista, tinha dois trunfos na manga: A felicidade não se compra, o filme de Capra e, um conselho de Epicuro: Somente dois tipos de dores certamente existem, a insuportável e as suportáveis. A primeira, como o próprio nome indica não suportaremos, morreremos, é inevitável; quanto as suportáveis, o nome também induz, suportaremos, então não adianta sofrer, se suportamos apenas o suportável. De preferência muito bem acompanhados!
Franz Capra será para sempre a mais otimista estrela fazendo os filmes de nossa constelação. Em Da vida nada se leva e It’s wonderful life (A felicidade...) encontramos motivos para manter os verdadeiros conceitos da Anarquia: Paz, Solidariedade, Liberdade e Alegria de viver.
Divino foi o dia em que encontrei, as gargalhadas, o Epicurismo, que, de muito simples, vive aos fragmentos profundos: Viver o presente, o passado passou, o futuro? ainda não... Chegou?
Aos filmes...^, aos conselhos de...^, entenderás o que digo. Se, neste mundo que aprendemos a amar, encontramos com aquele que ainda, não aprendeu que o afeto, o zelo, é nosso único passaporte seguro, com paciência dirija-se e lhe diga:
O que não mata (o afeto, a confiança, o sorriso, a paz, a poesia dos dias), mais forte fica.

Aquele que se deita tranqüilo
no travesseiro do zelo,
não terá pesadelos.

Amo a todos que chegaram até aqui!





AEROSTATO 44
Arte no homem do vale
renatodemelomedeiros@gmail.com

nisso, Felipe Néri de Carvalho pode também, ser tratado como um aristocrata de um tempo em transição. Tudo que se queira relatar sobre ele e sua esposa a baronesa de serra branca, nascida Belisária Lins Wanderley em 1836(?), parece sempre nos remeter a um passado de desenvolvimento e progresso ilimitado.
Já um pouco antes da assinatura da Lei-Aurea esta decente senhora libertou seus cativos, isto é fato narrado, de todos conhecido.
O final do século 19 foi marcado por uma retomada dos valores da imaginação positiva, ondas de renovação na maneira de ver o mundo (Ciência popularizada. Temor da justiça divina, natural nestes períodos de transição calendária?), varrem também toda opressão do novo continente, a procurar novas revoluções no campo das idéias. Realçando as formas de convivência. Foi também esta Belisária uma sensível mulher, seu baú de lembranças pessoais guardava cartas de amigas afetuosas, admiradoras de suas prendas para as artes manuais e atenciosas para com a curiosidade dessa amiga ávida por notícias do mundo.
Tenho ainda na lembrança, era já 1987 e pude assistir a este depositário de suaves caprichos tão femininos e universais. Muitas marcações de cartão para as rendas com ingênuos motivos de pássaros e flores, vidros de fragrâncias perdidas com o passar dos anos, o caderno das primeiras letras caligrafadas do seu filho Silvestre (repare no nome, aluda.), uma foto dele guardada numa trabalhada caixinha de madeira, algumas cartas que ele mandava para o pai do Rio de Janeiro onde estudava. Tinha gravatas do marido, travesseiros pequenos de seda bordados e cheios com plumas, mimos, souvenirs de seus fatos e até chumaços de cabelos, talvez dessas próprias cabeças.
Também o tempo escolhe. Aquele baú/obra de engenho minucioso, peça de arte conceitual, mesmo túmulo de cultura individual sedimentada, foi em parte tragado pelos bichos, teve outra parte destinada a saqueadores com eu e outra parte, quem sabe maior, devorada pelas chamas do acaso, virado lixo decerto.
Em tudo isso, na balança o peso da arte não engana. Vejo aquela mulher, acumulando sua existência naquela mala de couro broxado, lembro de um desenrolar dos fatos cruciais de sua época, relembro Emily Dickinson e suas notas enigmáticas, João Lins Caldas e suas centenas de livros perdidos, Marcel Duchamp e seu museo de acasos, alio tudo as novas tecnologias de mensagem para o trato criativo e sei, a memória é uma coisa do futuro e besta é a soberba. A arte é uma charada dos homens e não se engane, a arte é para todos. Vejam.






ReEditaremos uma jornada, só pra lembrar...


AEROSTATO 1
Arte no homem do vale
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Quanto de solidamente humano existe em transformar o invisível em uma imagem que dura? E o quanto desde a necessidade, sufoca o instinto brutal acima da razão e do tempo, refinadamente? Uma idéia, mesmo encerrada nos confins do pensar, é um golpe de arte.

A esperança no outro, na maravilha do trabalho, transforma a iluminação primeira em fato incomum, objeto encantado.
A arte mesmo, liberta as conquistas do pensamento/idéia da obrigação de se fazer ação ou matéria. Vem da arte o impulso natural de não se deixar aprisionar, mesmo moldando alucinação criativa e objetivo racional para a vitória do facto.
Qualquer objeto que dure, palavra que permaneça diz, somente: Troféu da empreitada humana. Lembra DRELLA, “Todos somos artistas e vivemos no mundo”. A arte, jogo onde não há perdedor. Infinita carícia que assusta.

12/01/2009

Há Séculos...




Um primeiro dia forte
e com sorte
contente...
Valoriza a eternidade,
à posteridade.







Tenho adoração ao memorável,
sublimo tudo em minhas veias.
E quando um isto me põe a teima
fagulho calmo a minha bagagem.

Estiro o pensar em provisão
e pesco longe com os sentidos
um ritmo que me ajuda a sorrir.
É porque ou bem, ou now,
eu não largo o pau
de minha bandeira.

Ser, firme por dentro,
do organismo
que em mim lateja.