22/05/2014

Auscuta

nos dias
antes de sair



baldeio as penas
saturadas de emitir
um gongo inútil

ninguém adula os tontos
ou subtrai do gelo

entranhas


05/11/2013

Velo. Volante. Veloz.

Por enquanto. Foi tudo o que escrevi.
Arqueologia latente. Sendo aberto. Esse traçado.
Ficamos na solução de rever novas coisas. Um rio danado.
Inundando a grande casa e a essa gente toda com tanta espera, 
e esse grande bordado.
Escolhido, tinha função, um enorme agrado que separava as perenes paredes
e num zelo ainda fervente revia tudo noutro formato.


Durante toda a minha vida, nessa memória pessoal que parece de repente mais uma arqueologia autorreferente, eu lembro que a arte será para sempre as verdadeiras pegadas no meu caminho. São 39 anos de idade apenas e, contudo, eu revivo três décadas de arte como ofício diário. Tenho experimentado tudo em matéria de mídia e expressão visual, artes aplicadas no meu desenvolvimento pessoal e humano.
Arte e Comunicação moldam o meu itinerário.


Ainda criança eu me via como um artista e desenhava qualquer pessoa que se demorasse comigo, era como uma forma de diversão, mas tinha a seriedade necessária para surpreender os retratados.
Pintura e poesia sempre foram minhas ocupações, depois, de manso destino, um novo meio de guardar os achados, a fotografia virou rotina. Nos anos 80, principalmente a partir de 1986, já com 12 anos, eu estava consumadamente artista. Não eram por diletantismo as minhas expressões, elas eram o fluxo de uma arte efetiva. Nesse destino, experimentando os meios, desde cedo fui diretor de teatro, cenógrafo, figurinista, ator e, obstinadamente pintor e fotógrafo, de paisagens e de retratos.






A história da arte era minha literatura juvenil e eu acompanhava tudo o que se passava no cenário da arte mundial. Assinava as principais revistas de arte da época: Arte News [Americana] e a Galeria [São Paulo, Brasil] q depois passou a se chamar Guia das Artes. Era um autodidata tecnicamente como pintor, porém, me esforçava profundamente para conhecer o mercado de arte mundial. Isso já era então uma decisão profissional, apesar de minha pouca idade.




Nesse final dos anos 80 e inicio da década de 90 a arte mundial fazia da citação e da ironia com a própria arte o último grito, e suspiro, do que na história da arte denominamos de pós-modernidade; ser pós-moderno era um timbre para artistas e galerias... Tinha inclusive um niilismo que rotulava o que era ‘novo’ de pós-vanguarda. Nisso, no mercado de arte o que era denominado Arte Abstrata, Arte POP, Nova Figuração, Grafite, Arte Conceitual, Performance, As instalações, Artes com o corpo, etc. já estavam plenamente estabelecidos e aceitos, por vezes até saturados, nesse mesmo mercado. O novo realmente, para um futuro, eram as Artes Digitais, Novas Mídias e Tecnologias Interligadas.






Minha produção nesse período não escapava da citação, eu era POP de um jeito Naïve: Marcel Duchamp; Andy Warhol e sua Factory; Maria do Santíssimo; e suas respectivas legendas, vibravam no meu conceito geral de influentes, e ao mesmo tempo eu experimentava uma nova des’figuração embebida do trabalho de Leonardo, Francis Bacon (O pintor) e Gerard Richter, mestres da minha disciplina Retratos. Invenção; arte primitiva; e toda tradição da pintura oriental e ocidental rondavam o meu recado.







Ao largo, desde 1990 eu estudava em Natal e passei a ter uma galeria me representando, pintor e gravurista, formalmente, e a partir de 94, quando finalmente recebi meu primeiro prêmio num concurso de fotos, a fotografia documental e de retratos virou parte substancial do meu trabalho. Foi nesses anos também que começou meu namoro com a arquitetura e desde então a pintura estrutural e o grafite agregaram-se ao meu portfólio.









As artes visuais praticadas no nosso Estado nesses anos eram eminentemente Pinturas, alguns bons pintores: Newton Navarro, Dorian Gray, Thomé Filgueira, Nivaldo, Vicente Vitoriano, Marcelus Bob, Assis Marinho, devem ser citados, eram tradição e renovação nesse mercado; a paisagem e a figuração os motivos, o folclore local e seus temas, influências distintas na cultura potiguar.  Enquanto a fotografia Arte... A fotografia séria, enquanto Arte, era uma adolescente tomando seu próprio caminho por aqui, abrindo um espaço que ainda não foi formalmente alcançado.
Depois do Colegial, passeei pelos cursos de Educação Artística, Psicologia, Comunicação Social e finalmente Publicidade.






Música, teatro e poesia namoram desde sempre com essa minha atividade cultural, eu sempre agi multimídia; e os anos noventa foram os grandes anos da minha verdadeira vanguarda experimental. Para mim a década de 90 será para sempre aqueles legendários anos ‘Teatro Rock’n Folk’, ser artista naqueles dias era ser ativamente aberto à comunhão de todas as expressões de arte.
Em 1998 retornei para minha cidade de nascimento, e foi quando o grande Vale do Rio Piranhas - Açu retornou e iluminou em definitivo o meu folclore pessoal. Eu era colunista e fotógrafo de um jornal em Macau e morava em Assú, então eu pesquei de volta esse enorme universo para minha poesia e trabalho. Foi aqui aonde o meu folclore perdeu as botas!






Ser artista na minha província é um dom e uma sina...  Apesar da tradição artística ilustrar, veementemente, a história da cidade, aqui não existe ainda mercado local real para arte. Em dois anos eu já tinha largado a função de repórter fotográfico e com a ajuda de uma amiga estilista de moda eu tive que inventar outro modo de trabalho, estamparia de vestuário. Os tecidos chegavam pelos Correios, do Sul e Sudeste [Sampa e BH principalmente] e aqui eram estampados manualmente, depois retornavam para finalmente serem manufaturados. Isso e mais a minha fotografia comercial me renderam a primeira década desse terceiro milênio.







Mantive minha liberdade, e cursei Jardinagem e Paisagismo, Enfermagem, Controle de Qualidade, Editoração de Livros, Marcenaria...
A perspectiva pessoal de artista pra mim passou a ser mais funcional, mesmo a nível mundial esses anos marcam o casamento integral da arte com a moda, que já vinha acontecendo de forma crescente desde os anos 60. As artes visuais finalmente tornaram a vida e a personalidade o centro do espetáculo. Nesses anos, a internet e, as então emergentes redes sociais, integraram-se aos mass-médias e a vida real, e contribui fundamentalmente para a divulgação do trabalho dos artistas, numa profícua cadeia, nem um pouco elementar.
Todos Somos Artistas nunca pareceu tão correto quanto oportunista.









As formulações e engrenagens da arte contemporânea estão abertas para todo tipo de experiências formais e especulações comerciais. Geralmente pouco material e extremamente conceito, ideia e virtualidade, ela mantem firme o choque com os caprichos do desejo e da posse. 







Depois de 2008, alongando as atividades da Usina, que existe enquanto Laboratorium de pintura e restauração desde 2001, formatei um Emporium que nos serve de Galeria de Arte, Agência de Comunicação e Design, Editora, e escritório de minhas atividades pessoais: Pintor, Fotógrafo, Designer, Jardineiro, Poeta e Ilustrador.
Inclusive, neste 2013 eu tive a alegria de ser escolhido o melhor ilustrador do Nordeste, depois de um ano de curadoria por todo o Brasil. Somado aos diversos prêmios, em cada uma dessas minhas muitas áreas de autorizações profissionais, nesses mais de trinta anos de arte, essa recente nominação de HotSpotBrasil - categoria Ilustração - acende um outro farol enorme de luz para o talento e a criatividade dessa nossa esquina do continente.






Eu sei que a arte mantem seus estigmas de gosto; não gosto, tá na moda, artista grife, é Arte - não é Arte, porém no coloquial dia a dia a atividade do artista está cada vez mais inserida no conteúdo geral da sociedade de consumo e extrapola os limites do permitido em função da própria abertura do conceito da palavra arte. Desde a intervenção do design na indústria (Revolução Industrial, Artes e Ofícios, Bauhaus etc.) a formatação de um mínimo de pensar o fazer, projetar e fazer, é inerente aos avanços tecnológicos e sociais.
Triste a cidade sem um mínimo de ordem, sem todas essas artes aplicadamente artificiais que revalorizam a ambiência natural. Seria incrível imaginar nossas residências sem o capricho detalhista de todos os artistas que sonharam, projetaram e tornaram real o que nos rodeia, protege, auxilia, serve de referência, inspira ou mais. Impossível sentar numa cadeira e não ter a ideia vaga de que aquilo é um objeto de arte.

Reza a lenda que arte é fazer, jogo e lazer... Fazer com arte!  

[Esse post foi feito especialmente para os alunos do curso de Arquitetura da Universidade Potiguar, colegas de Túlio Mércio, também grande talento da arte deste rico Vale.] + [Visa analisar por 3 décadas o trabalho de um artista e suas referentes fases.] + [ Fico a disposição em esclarecer dúvidas inerentes a cronologia das obras e outras especulações formais...] + [... neste Aerostato estão todos os links relativos as minhas ações neste nosso infinito CyberEspaço.] = [Abraço-lhes!]
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