16 de jan de 2009

Silvestre

nisso, Felipe Nery de Carvalho deverá também ser tratado como um aristocrata de um tempo em transição. Tudo que se queira relatar sobre ele e sua esposa a baronesa de serra branca, nascida Belizária Lins Wanderley em 1836, parece sempre nos remeter a um passado de desenvolvimento, mas de progresso limitado.
Já um pouco antes da assinatura da Lei-Aurea esta decente senhora libertou seus cativos, isto é fato narrado, de todos conhecido.
O final do século 19 foi marcado por uma retomada dos valores da imaginação positiva, ondas de renovação social varrem também toda opressão do novo continente, a procurar novas revoluções no campo das ideias. Realçando as formas de convivência.
E foi também esta Belizária uma sensível mulher, seu baú de lembranças pessoais guardava cartas de amigas afetuosas, admiradoras de suas prendas para as artes manuais e atenciosas para com a curiosidade natural dessa amiga ávida por notícias do mundo.
Tenho ainda na lembrança, era já 1987 e pude sentir este depositário de suaves caprichos tão femininos e universais. Muitas marcações de cartão para as rendas com ingênuos motivos de pássaros e flores, vidros de fragrâncias perdidas com o passar dos anos, o caderno das primeiras letras caligrafadas do seu filho adotivo Silvestre (repare no nome, aluda.), uma foto dele guardada numa trabalhada caixinha de madeira, algumas cartas que ele mandava para o pai do Rio de Janeiro onde estudava. Tinha gravatas do marido, travesseiros pequenos de seda bordados e cheios com plumas, mimos, souvenirs de seus fatos e até chumaços de cabelos, talvez dessas próprias cabeças.
Também o tempo escolhe. Aquele baú/obra de engenho minucioso, peça de arte conceitual, mesmo túmulo de cultura individual sedimentada estava na calçada, expulso de seu sobrado onde ficou tantas décadas exilado e guardado e, foi em parte tragado pelos bichos, teve outra parte destinada a saqueadores como eu e outra parte, quem sabe maior, devorada pelas chamas do acaso, virado lixo decerto.


Em tudo isso, na balança o peso da arte não engana. Vejo aquela mulher acumulando sua existência naquela mala de couro broxado, lembro do desenrolar dos fatos cruciais de sua época, relembro Emily Dickinson e suas notas enigmáticas, João Lins Caldas e suas centenas de livros perdidos, Marcel Duchamp e seu museo de acasos, alio tudo as novas tecnologias de mensagem para o trato criativo e sei, a memória é uma coisa do futuro e besta é a soberba. A arte é uma charada dos homens e não se engane, a arte é para todos. Vejam.

sic...

Felipe Nery de Carvalho e Silva - agraciado com o título ( Dec 19.08.1888, Princesa Isabel) de Barão de Serra Branca. Nasceu em 02.05.1829 em Santana do Matos - RN e faleceu em 16.06.1893, nos arredores da cidade de Caicó-RN, vindo de uma viagem a Juazeiro do Norte-CE, onde visitara o Padre Cícero. Está sepultado no cemitério da cidade de Assu-RN. Filho de Antônio da Silva de Carvalho ( nascido  a 13.01.1784 e fal. a 09.08.1877 ) e de Maria da Silva Velozo (nasc 23.12.1799 e fal. 18.05.1870), casados em 26.02.1827.  Como político, financiava eleições  e foi eleito Deputado Provincial por duas vezes, nos biênios de 1878-79 e 1880-81. Tenente Coronel da Guarda Nacional. Abolicionista legítimo, libertando todos os seus escravos sem qualquer condição no dia 30 de março de 1880. Casou-se com Belizária Wanderlei, Baronesa de Serra Branca, nascida a 13.10.1836 em Assu-RN e falecida a 13.04.1933 em Natal-RN, filha do Cel. Manoel Lins Wanderlei e de Dona Maria Francisca da Trindade.O casal não teve descendentes. Ainda sobre o Barão de Serra Branca.Era o tipo tradicional do patriarca risonho. Contava o meu bisavô do colaborador Lauro Antonio Bezerra de Assunção que ele costumava se sentar e reunir ao seu redor todos os escravinhos pequenos para que ele tocasse e cantasse para a alegria de todos. Em 19 de agosto de 1888, a Princesa Regente D. Isabel, assinou o decreto fazendo de Felipe Néri de Carvalho e Silva, Barão de Serra Branca, no Gabinete Ministerial do Conselheiro João Alfredo. Prestando o seu juramento no dia 24 de outubro de 1888.

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